A racionalidade ainda é um território em boa parte desconhecido, habitado por gente como nós, parcialmente ignorante, com um tempo limitado à disposição e um futuro incerto, e não um lugar em que a luz do intelecto irradia com os seus esplendorosos raios a realidade do mundo. A diferença entre as leis do mundo real e aquelas de um mundo lógico ideal é, muitas vezes, desconcertante. Estar mais informado, até mesmo pensar mais, nem sempre é melhor. Claro, se estivéssemos num mundo em que os riscos são calculáveis, o pensamento lógico-matemático bastaria. Mas o nosso é um mundo incerto: um mundo de constante incerteza no qual se ignoram todas as alternativas de um problema e, portanto, as consequências e os riscos são difíceis de serem calculados. Isso significa, por acaso, que não precisamos de modelos matemáticos para o cálculo do risco? Não, estou dizendo que precisamos de algo mais sofisticado e, ao mesmo tempo, mais simples: alguma coisa como as boas intuições. Todavia, a questão não é intuição contra análise, sentimento contra razão, lógica formal contra lógica natural. As intuições são expressões de inteligência sofisticada e racionalidade. Intervêm apenas quando faltam modelos racionais de maior desempenho. Quando? Quando é necessário. O peso justo a ser dado ao pensamento intuitivo deriva de uma alfabetização para o risco que, aliás, é um ponto carente de nossa formação. Essa falta de confiança no instinto é um desperdício de tempo precioso, de inteligência e recursos. A estratégia defensiva baseada nos números vai proteger o tomador de decisões, mas vai prejudicar o desempenho e a agilidade da empresa. Sobretudo na época dos “Big Data”, em que a ideia de “possuir”, agregar e analisar volumes inimagináveis de dados parece ter tocado a imaginação de empresas e futurólogos. Tudo isso parece ter extrema importância para evitar perigosas ilusões de certeza num mundo inevitavelmente incerto e imprevisível.

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