Non sapremo mai in che modo pensieri e voci si compongono in quel perfetto mistero che chiamiamo libro. Scrivere è, inevitabilmente, un’esperienza delle vicissitudini del linguaggio e delle sue parole che, come frammenti di testi remoti, riprendono a vivere aprendosi all’avvenire. Come se, a nostra insaputa e instancabilmente, un testo segreto avesse lavorato in noi per dar vita a costellazioni di senso, a domande senza risposta e a risposte a domande mai pronunciate. In questo difficile azzardo, la scrittura diviene materia del meditare, mappa della sua stessa odissea, scandita da intuizioni felici, come pure da colpe ed errori.  
Presupposto da quelli precedenti, Na base do farol não há luz – testo impreziosito da un saggio introduttivo di Danilo Santos de Miranda, personalità tra le più eminenti del continente latinoamericano – parla della luce tenue della consapevolezza e della vita inconsapevole, dello stupore della ragione e delle sue oscure intermittenze. Dopo l’abisso disumano del secolo scorso, nessuno immaginava di dover assistere al ritorno, nel cuore stesso d’occidente, della barbarie nelle forme del terrorismo, delle persecuzioni, dei genocidi. Una dura replica della storia per quanti confidavano nel cammino progressivo della civiltà e nella naturale bontà dell’uomo. La psicoanalisi ha mostrato irrefutabilmente come l’aggressività, l’odio, la crudeltà, appartengano al gioco delle pulsioni umane, a dinamiche impermeabili alle sottili distinzioni etiche. L’uomo non è una creatura gentile che desidera essere amata o che si difende solo se attaccata. Inoltre, la propensione gregaria acuisce la sua paura della libertà. Non che l’uomo non aspiri alla libertà: è che ne ha paura. La libertà, infatti, lo obbliga a decidere e ogni decisione comporta sempre rischi, responsabilità. D’altra parte, in base a cosa decidere se, fin dalla più tenera età, la sua indipendenza di giudizio è minata da lauti premi per il suo conformismo, dall’invito a barattare la sottomissione all’autorità con una finta sicurezza?
Le linee di frattura nel tessuto della nostra civiltà non sono aspetti di una temporanea regressione. Sono sintomi dello sfinimento febbrile di ogni pedagogia sociale, della finzione che – attraverso l’educazione, la cultura e la morale – maschera la condizione autentica degli uomini, l’essenza delle loro inclinazioni, le passioni che ne velano la razionalità: mascheramento che se riesce a imporre la rinuncia al soddisfacimento delle pulsioni, non riesce tuttavia a sradicarle. Così, quando sono queste costrette a mimetizzarsi, si preparano al ritorno in grande stile. Quando i veti e i divieti si allentano, la distruttività prende il sopravvento mettendo a nudo il nucleo violento dell’uomo, al quale è estraneo il rispetto per la propria specie.
Anche se il libro getta luce in questi movimenti di faglia, in esso circola una speranza: la speranza che si possa elaborare quei residui pulsionali arcaici, mai del tutto integrabili all’interno della civiltà; la speranza di si possa comprendere che le cose sono in movimento, proprio come la nostra mente, che non è mai lo specchio di una realtà immobile; la speranza, infine, di poter illuminare le opacità alla base del faro, inaugurando uno spazio spirituale nuovo: lo spazio utopico di una politica senza potere.
Ancor prima di essere scritto un libro è abitato da molte persone e molte voci. Sarebbe sproporzionato, e forse impossibile, commisurare frasi alla riconoscenza verso tutti coloro che, a vario titolo e spesso indirettamente, mi hanno accompagnato in questo viaggio. A tutti loro, e innanzitutto al team di Sesc Edições di São Paulo guidato da Marcos Lepiscopo, voglio testimoniare la mia gratitudine.

 

Na base do farol não há luz …

Nunca saberemos de que maneira pensamentos e vozes vão se compondo naquele perfeito mistério a que chamamos livro. Escrever é, inevitavelmente, uma experiência das vicissitudes da linguagem e de suas palavras que, como fragmentos de textos remotos, retomam vida abrindo-se ao porvir. Como se, sem nosso conhecimento e incansavelmente, um texto segredo tivesse trabalhado em nós para dar vida a constelações de sentido, a perguntas sem resposta e a respostas para perguntas jamais pronunciadas. Nessa árdua temeridade, a escritura se torna a matéria da meditação, o mapa da própria odisseia, marcada por intuições acertadas, bem como por culpas e erros. Pressuposto pelos anteriores, Na base do farol não há luz – texto enriquecido pelo ensaio introdutório de Danilo Santos de Miranda, personalidade entre as mais eminentes do continente latino-americano – fala da luz tênue da consciência e da vida inconsciente, do espanto da razão e de suas obscuras intermitências. Após o desumano abismo do século passado, ninguém imaginava ter de assistir, no próprio coração do Ocidente, ao retorno da barbárie nas formas do terrorismo, das perseguições, dos genocídios. Uma dura réplica da história para aqueles que confiavam no caminho progressivo da civilização e na bondade natural do homem. A psicanálise mostrou, incontestavelmente, como a agressividade, o ódio e a crueldade pertencem ao jogo das pulsões humanas, a dinâmicas impermeáveis às sutilezas das distinções éticas. O homem não é uma criatura gentil que deseja ser amada ou que só se defende se for atacada. Além disso, a propensão gregária aguça o seu medo de liberdade. Não que o homem não aspire à liberdade: é que tem medo dela. A liberdade, com efeito, obriga-o a decidir, e toda decisão sempre implica riscos e responsabilidades. Por outro lado, decidir fundamentando-se no quê, se desde a mais tenra idade sua independência de julgamento é comprometida por prêmios ingentes a seu conformismo, por convites a trocar a submissão à autoridade com uma falsa segurança?
As linhas de fratura no tecido de nossa civilização não são aspectos de uma regressão temporária. São os sintomas do esgotamento febril de toda pedagogia social, do fingimento que – por meio da educação, da cultura e da moral – dissimula a condição autêntica dos homens, a essência de suas inclinações, as paixões que velam sua racionalidade: dissimulação que se por um lado consegue impor a renuncia à satisfação das pulsões, por outro, não consegue erradicá-las. Assim, quando elas são obrigadas a se mimetizarem, preparam à própria volta em grande estilo. Quando as proibições e os obstáculos esmorecem, a destrutividade prevalece, desnudando o núcleo violento do homem, alheio ao respeito pela própria espécie.
Embora o livro lance luz nesses movimentos de falhas geológicas, nele circula uma esperança: a esperança de que possamos elaborar aqueles resíduos pulsionais arcaicos, nunca totalmente passíveis de serem integrados na civilização; a esperança de que possamos compreender que as coisas estão sempre em movimento, assim como a nossa mente, que nunca é o espelho de uma realidade imóvel; a esperança, enfim, de que possamos iluminar a opacidade que existe na base do farol, inaugurando um novo espaço espiritual. O espaço utópico de uma política sem poder.
Ainda antes de ser escrito, um livro é habitado por muitas pessoas e muitas vozes. Seria desproporcional, talvez impossível, comensurar frases ao reconhecimento em relação a todos aqueles que, por diversas razões, e não raro indiretamente, me acompanharam nessa viagem. A todos eles, e em primeiro lugar à equipe das Edições Sesc de São Paulo, guiada por Marcos Lepiscopo, quero deixar aqui o testemunho de minha gratidão.

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