Na longa viagem evolutiva da espécie humana, a consciência facilitou a comunicação entre os semelhantes. Na realidade, já antes da hominização, os primatas possuíam um córtex frontal capaz de elaborar informações, medir-lhes a confiabilidade e catalogá-las para tomar decisões. O seu cérebro era equipado para fazer previsões: a) distinguir o melhor do pior e o útil do prejudicial; b) fundamentar expectativas nas próprias ações; c) agir conforme os objetivos; d) reprimir condutas sociais inapropriadas e assim por diante. Aqueles hominídeos ignoravam a palavra. Expressavam-se por meio dos sons: gritos, vozes de animais, sílabas, sublinhados por gestos e tons diferentes. Mas não palavras. Essas, chegaram mais tarde. Claro, dialogavam com si mesmos. Mas sua linguagem interior era lenta demais para aquele mundo imprevisível e insidioso. A comunicação verbal foi a transição evolutiva crucial que inaugurou um espaço social que permitiu que nossos antepassados utilizassem as vantagens derivadas das invenções dos outros semelhantes e confrontassem a própria e outras formas de conhecimento para decisões eficazes. Claro, porque apenas decisões eficazes poderiam lhes garantir a sobrevivência. Se não tivesse sido assim, a civilização — e talvez a própria evolução da espécie — teriam sido improváveis. É realmente espantoso como seres com tamanhos limites cognitivos e com conhecimentos tão escassos tenham podido escolher soluções evolutivamente vantajosas. Quem sabe, talvez tenham sido precisamente aqueles limites a solicitar soluções flexíveis diante de situações imprevistas e dramáticos desafios ecológicos. Aquela lógica natural os ajudou a evitar os predadores, a encontrar comida, a curar feridas, a conhecer melhor as funções reprodutivas, influenciando profundamente as escolhas que garantiram sua sobrevivência.

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