Ao se despedir de uma efervescente vida mundana, Marcel foi levado por sua consciência em direção a si mesmo, em direção a um arquipélago de memórias que fizeram de seu espírito um extraordinário teatro de experimentação. A temporalidade foi a bússola para uma grande viagem na memória. Foi extremamente hábil em formar e plasmar, mas isso não tem a menor importância. Ele derreteu memória e forma dentro de sutis e inexplicáveis arquiteturas, dando lugar a uma nova forma de vida. Eis por que em seus intermináveis volumes (intermináveis porque sem tempo) parece não haver eventos ou personagens, mas apenas uma matéria psíquica – memória, justamente – que se desdobra em um perfeito estilo atemporal. READ MORE
Um estado de espírito superior à vida
A música dá voz ao inefável. É um evento fugidio e irreversível, evanescente. Ausência, circunstâncias de um tempo passado e que nunca mais serão. A música é essa temporalidade encantada, essa nostalgia purificada de qualquer desassosego. Mesmo sendo inteiramente temporal, ela é, num só tempo, um protesto contra o irreversível e, graças à lembrança, uma vitória sobre o irreversível. A música representa uma estilização do tempo: um tempo que suspende os tumultos do mundo. READ MORE
O corpo doente
Ainda hoje, a doença do corpo (e, portanto, da existência doente) é a emergência que desfia e extenua o jogo de resultado zero das compreensões, das interpretações, das explicações. A corporeidade doente – a condição do Eu e do mundo que se eclipsam no sintoma do corpo doente, enquanto o sujeito se retrai (dissimulando a si mesmo) numa concretude que apaga toda dimensão metafórica do discurso – pois bem, essa corporeidade doente in ige ainda muitas derrotas à cirurgia, à farmacologia, à psicologia e à própria psiquiatria. Para quem se move em âmbitos terapêuticos, não é raro perceber uma impotência desesperadora pela incapacidade de impedir que um homem escorregue pelo plano inclinado da corporeidade doente.READ MORE
O retorno do tempo
Nunca se termina com o tempo. Todos os maiores mistérios da ciência prezam o problema do tempo. Tudo que pensamos, sentimos e fazemos nos recorda sua existência. Percebemos o mundo com um fluxo de momentos que escandem nossa vida, mas tanto os físicos quanto os filósofos dizem que o tempo é perfeita ilusão. Não só eles, na verdade. Muitas vezes ouvimos, mesmo de pessoas comuns, que a passagem do tempo é enganosa e que tudo o que é real – a verdade, a justiça, as leis científicas e assim por diante – não têm tempo. READ MORE



